Mulheres se rendem ao Taekwondo

Folha de Alphaville: 22/10/2009

Arte marcial coreana alia defesa pessoal a técnicas de biomecânica e velocidade

Por Nanci Dainezi

Quando uma mulher procura por um esporte para treinar, ela quer primeiramente uma atividade que não seja enfadonha, que queime gorduras e que defina seu corpo. Se além desses benefícios, ela encontrar algo a mais, que a faça extravasar, que fortaleça sua autoestima, que a torne menos ansiosa e mais equilibrada, ponto positivo para esse esporte. É isso que explica Ricardo Plentz, mestre de Taekwondo e proprietário da academia ATA (American Taekwondo Association) Alphaville.

Em sua academia, 50% dos alunos são mulheres, e essa grande procura se deve principalmente a um maior conhecimento dos benefícios do esporte, que vão além da luta e da defesa pessoal. “Atualmente as mulheres exercem inúmeras tarefas diariamente. Administram a casa, são o suporte dos maridos e dos filhos, muitas são profissionais liberais e às vezes nem lhes sobra tempo para si mesmas. Nas aulas de Taekwondo, elas conseguem extravasar o estresse acumulado porque gritam, chutam, superam seus limites e saem renovadas, prontas para cuidar de todos os afazeres”, diz Ricardo Plentz.
O mestre conta que é comum a mulher reagir de modo negativo quando convidada a fazer uma aula, porque acha que se machucará, ou não conseguirá lutar, ou mesmo quebrar tábuas, mas quando entende que a própria indumentária a protege dos golpes, e que há toda uma filosofia de paz e respeito por trás dos movimentos, já quebra seu próprio preconceito e começa a praticar.

Com o passar do tempo, de acordo com Plentz, conforme consegue superar a si mesma, realizando os movimentos, se concentrando e percebendo modificações no seu corpo e mente, sua reação em geral é se apaixonar pelo esporte. Já quem procura apenas para defesa pessoal pelo aprendizado de golpes, aprende que Taekwondo também oferece sua filosofia antiga, tradicional, onde as leis espirituais são bastante fortes.

“Cuidamos primeiramente da parte interior, que é autoestima, autoconfiança, depois trabalhamos a parte física. Como o Taekwondo alia defesa pessoal com técnicas de biomecânica avançada e velocidade, num treinamento avançado, a mulher consegue queimar 1000 calorias por aula. De forma agradável e motivante, ela consegue realizar, por exemplo, cerca de 500 abdominais”, revela.

Há também a mulher que adere ao esporte, porque pode praticar com seu marido e filhos. Não há limite de idade, por isso o Taekwondo pode ser aprendido até por crianças e idosos. Na ATA, o aluno mais novo tem 3 anos e o mais idoso, 64.
A esposa de Ricardo Plentz, Débora Plentz, começou o esporte por influência do marido. Ela conta que no início não se imaginava lutando, nem treinando a Arte Marcial, mas que aos poucos começou a sentir um interesse cada vez maior.”Demorei quatro anos até decidir entrar nos treinos. E logo no início, não conseguia nem lutar, nem dar um Kihap (grito). Acredito que seja porque as mulheres em geral são criadas para atividades mais protetoras, e não para as lutas. Quando consegui canalizar minha energia e me focar no que eu estava fazendo no momento presente, isso me deu um equilíbrio e resultado interno fantástico”, conta Débora Plentz.

Hoje, treinando há apenas dois anos e meio, Débora já conseguiu ser quatro vezes campeã brasileira, quatro vezes campeã estadual e mais recentemente, em setembro, conseguiu o título de campeã panamericana. O próximo passo da lutadora é competir no Campeonato Mundial, que acontecerá em junho de 2010, nos Estados Unidos.

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